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tem Gringo no SAMBA!!!

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  • tem Gringo no SAMBA!!!

    • Matthew Exell é de Sheffield, norte da Inglaterra, um lugar praticamente intocado pela influência tropical do Brasil. Ele cobriu o Carnaval/2004 do Rio para o Serviço Mundial da BBC e a BBCBrasil.com pediu a ele que enviasse suas impressões sobre a festa. Leia os comentários no final de cada texto.

      Comprando a fantasia


      Inglês de Sheffield, Matthew
      diz estranhar alguns costumes tropicais


      Tá, faltam apenas alguns dias para o Carnaval (2004) e me disseram que tenho que comprar uma fantasia para usar nos blocos.

      Fantasia. Isso não é exatamente o que eu tinha em mente quando vim do gelado norte para os trópicos observar os nativos em seu ambiente natural. Preste atenção, eu disse "observar".

      Mas aparentemente eu não tenho escolha. É Carnaval, eu estou no Rio e isso é o que os cariocas fazem nesta época do ano. Tento argumentar que sou gringo e essas regras não deviam valer para mim, mas ninguém me escuta.

      Na verdade, eles me dizem que, se eu não me fantasiar, todo mundo vai achar que estou fantasiado de gringo, então, que é melhor eu escolher minha própria fantasia. Faz sentido. Não quero parecer um gringo durante o Carnaval.

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      De onde venho não se espera chuva quando a temperatura é tão alta. Este ainda é um novo conceito para mim.
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      Fantasia de gringo

      Acompanhado dos meus amigos cariocas, vou até o Saara, uma área de lojas extremamente baratas no centro do Rio. A gente pega o metrô e salta na estação da Uruguaiana. Quando subo a escada rolante, já começo a ouvir música eletrônica tocando na rua. Não se parece com nenhum tipo de samba que eu já tenha escutado.

      "Não se preocupe", me dizem, "estamos no lugar certo".

      Não se preocupe? O que eles querem dizer com isso? Ando cercado de camelôs vendendo tudo o que se possa imaginar. Deve haver milhares de pessoas se mexendo neste quarteirão, o barulho é alto e o céu está cinzento, o que provavelmente significa que vai chover daqui a pouco. De onde venho não se espera chuva quando a temperatura é tão alta. Este ainda é um novo conceito para mim.

      Mas me mandaram ficar comportado e me recolher a minha situação de gringo. Estamos indo à Casa Turuna, a loja de fantasias mais tradicional da cidade.

      A Casa Turuna é uma confusão. Não há outra maneira de descrevê-la. Mas me sinto como se estivesse mais perto de me tornar um carioca. Pode ser. Este é o lugar para se estar, me disseram, e cá estou.

      Demoro algum tempo até me encontrar na loja e me dar conta que, de fato, há centenas de opções de fantasias penduradas no teto. Posso ser quem eu quiser.

      Eles têm todos os clássicos: índios, piratas, árabes, havaiana… o que você quiser, lá tem. Um de nós decide ir vestido de pai de santo, e descobrimos que podemos comprar até o charuto na loja. Ainda estou pensando.

      Perdido

      Para ser atualizado, posso ir de George W. Bush ou Saddam Hussein. Aparentemente o Saddam Hussein está vendendo melhor. Até agora, no entanto, não encontrei a máscara do Tony Blair.

      Depois de mais 15 minutos fervendo no meu próprio suor enquanto tento decidir minha fantasia, me dou conta de que perdi todos os meus amigos na loja.

      Já estou procurando um cantinho para passar a noite quando, na distância, ouço a voz de um de meus amigos me chamando. Sigo a direção de onde vem a voz, passando pelos cabides de fantasias e pilhas de tecidos até chegar à entrada da loja. Vejo minha amiga emoldurada pela porta. Ela parece meio irritada, como se eu tivesse me comportado feito criança que se perde da mão da mãe.

      Me sinto tão grato e aliviado de não ter que passar o resto dos meus dias na Casa Turuna que ouço a bronca feliz. Nada me incomoda. Nem mesmo saber que não vou ter opção neste Carnaval. Vou ter que ir aos blocos fantasiado de gringo.

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      Matthew Exell, produtor do Serviço Mundial da BBC, produziu uma série de reportagens de rádio em inglês sobre o Carnaval brasileiro
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      "Curioso. Ajuda a ver o carnaval pelos olhos de outra cultura."
      Julio Bittner Rojas, Belo Horizonte (MG)

      "Matthew, divirta-se bastante esse ano no Rio de Janeiro, mas ano que vem você deveria passar em Olinda e Recife e ter novas experiências para contar. O convite está feito."
      Cristina Silva, Recife

      "Não querendo ser chato, e também não tem nada a ver, mas chamar nós de nativo demonstra outra vez que eles nos vêem como índio."
      Marcelo, Batatais (SP)

      "Sua impressão é típica de um um gringo. Nunca fui a Rio, mas quero muito. Na minha cidade só existe carnaval de salão - que no Rio tem bastante também. Joinville é essencialmente industrial - dizem que é a "Manchester" catarinense. Bom divertimento para você no carnaval carioca."
      Juliano Pfutzenreuter Nunes, Joinville (SC)

      "Muito bom!!! Espero mesmo que ele arrume uma fantasia que não seja de gringo. É mais seguro!!! Estarei acompanhando."
      Denis Darwin, Belo Horizonte (MG)

      "Feliz deste gringo que na verdade é do contra. Eu estou a 400 Km de distância e nunca fui, se ele continuar raclamando manda ele de volta. Ele não pode deixar de conhecer o maravilhoso carnaval cultural do resto do Brasil. Se não vai ser a mesma coisa de sempre."
      Elder, Lavras (MG)


      Enturmando na Mangueira


      Matthew faz roteiro pelas quadras
      da Mangueira e Portela


      Tendo vindo ao Rio para cobrir o carnaval para o Serviço Mundial da BBC, acabei indo a lugares pouco comuns para um turista estrangeiro, para cumprir minhas funções.

      Fui ao Morro da Providência, ao Sambódromo, a ensaios de blocos e aos barracões de algumas escolas de samba encontrar minhas histórias.

      Do lado de fora, o barracão da Mangueira lembra um enorme tijolo assando no sol do meio-dia. Dentro, vejo um monte de gente trabalhando duro para aprontar tudo dentro do prazo: entre eles, exultante e sorridente, uma americana!

      Rachel, de Massachussets, me fala da forte conexão que ela encontrou com o Rio, e sobre os meses de cuidadoso planejamento antes de vir morar no Rio por uns tempos, para aperfeiçoar seu português.

      Finlandesas

      Ela me explicou como economizou dinheiro nos Estados Unidos e depois pesquisou na internet para encontrar um emprego em uma das escolas de samba pouco antes do carnaval.

      Nesta hora eu me pergunto por que alguém gostaria de trabalhar de graça em um dos lugares mais quentes da Terra, no alto verão carioca, quando provavelmente não entende patavina do que se passa em volta dela.

      Mas vale tudo quanto se trata de fazer a alegria de um gringo.

      A Rachel parece estar realizando o sonho de viver uma outra vida, uma vida com a qual ela sonhou, que ela planejou para si mesma, e que ela imaginou perfeita.



      Entre uma folia e outra, Mattew repõe
      as energias em boteco tipicamente carioca


      Por que sou tão cético? Talvez a Rachel tenha encontrado o verdadeiro amor, e o verdadeiro amor dela é o carnaval.

      Ela parece genuinamente feliz com sua nova vida de colar coisas no barracão, o que me faz pensar que, talvez, eu também devesse ter um sonho para este carnaval…

      Por enquanto eu não passo de um gringo tentando entender o samba e acho que, provavelmente, tenho certa inveja desta americana que já parece estar tão adaptada.

      Mas coisas ainda iam piorar.

      Na mesma noite, vou a um ensaio na quadra da Portela, em Madureira.

      Me sinto orgulhoso apenas de estar aqui, ciente de que muitos cariocas nunca foram tão longe para experimentar o verdadeiro samba.

      Então este é o “berço do samba”, lar de sambistas clássicos e compositores? É, já começo a me sentir meio malandro…

      Este é o tipo de história que quero contra aos meus colegas quando voltar para casa, para impressioná-los e me sentir melhor.

      Depois de algumas horas aproveitando o samba, aprendendo a coreografia e achando que já estou no controle da situação, vejo três visões nórdicas, louras e altas se dirigindo à multidão.

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      Parece que eu já não sou o único gringo no samba. E, pior, estou de longe de ser o melhor adaptado.
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      Concorrência

      Não, elas não podem ser brasileiras, e sim, provavelmente elas são mais gringas do que eu. Bom. Posso oferecê-las algumas dicas, ajudá-las com o meu conhecimento local.

      Quando me aproximo das três, descubro que são da Finlândia. Os três fantasmas gringos pálidos estão de mini-saia, salto alto e maquiagem pesada nos olhos.

      Elas parecem estranhas versões de positivo-negativo das tradicionais mulatas do samba.

      Greta, a mais simpática, me disse que este é o sexto ano que ela vem passar o carnaval no Rio, e que é o terceiro ano que ela sai de passista na Portela.

      Ela ainda me disse que é um pouco difícil falar inglês comigo porque ela tem falado muito português nos últimos dias.

      Eu me sinto pequeno, muito pequeno.

      Quando pergunto como ela conheceu o samba, ela responde em um tom de voz resignado, quase entediado, que ela é integrante de uma escola de samba na Finlândia há 11 anos, como se o carnaval e o samba fossem tão típicos da Finlândia como a pesca do arenque no sol da meia-noite.

      Bem, eu não fazia a menor idéia. Assim como nunca tinha ouvido falar de passista japonesa, mas, aparentemente, elas também existem.

      Tenho que confessar que, no fim do dia na Mangueira e na Portela, me sinto mais do que um pouco decepcionado. Parece que eu já não sou o único gringo no samba. E, pior, estou de longe de ser o melhor adaptado. Ainda.


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      "É isso aí, Matthew! É preciso dizer que o carnaval do Rio se "globalizou" (no pior do conceito), e hoje está mais para show da Broadway do que para Escola de Samba! Uma dica: se quiser ver o genuíno carnaval carioca, procure ir onde o pobre está, vá aos subúrbios cariocas e se misture com o povo mais humilde. Este povo que está ausente das grandes escolas de samba e grandes blocos por falta de dinheiro, ainda se diverte à moda antiga - e brasileira."
      Elizabeth, rio de Janeiro (RJ)

      "Vamos relaxar, pessoal. O cara até que está se esforçando. Cair na loucura que é o Rio durante o carnaval, ainda mais sendo gringo, não é para qualquer um. Mas aposto que até a quarta-feira de cinzas ele sai bem "aculturado"."
      Renato Rio de Janeiro (RJ)

      "É uma pena que esse gringo tenha uma visão pequena do que realmente é o nosso Brasil."
      Adriano Linhares, Belo Horizonte (MG)

      "O carnaval do Rio se transformou nos últimos anos num carnaval pra inglês ver mesmo."
      Felipe, Belo Horizonte (MG)

      "O leitor abaixo, Marcelo, da cidade de Batatais, não entedeu ao comentar que o "gringo" Matthew comentou sobre os nativos..... Marcelo achou que nativo é índio... Marcelo pelo amor de Deus, nativo é quem nasceu no lugar, parece óbvio né !!!!! Vem de nato, nascido e assim vai..."
      Luiz, São Paulo (SP)

      "Ir para os trópicos observar os nativos em seu ambiente natural". Só por isso esse "gringo" já merecia ser deportado. E não importa se ele está no Rio, São Paulo, Recife ou Salvador, ele está falando do Brasil"
      Alex, Rio de Janeiro (RJ)

      "Ele escreve sob um ponto de vista que arrisco dizer etnocêntrico. Parece um etnólogo ou antropólogo "observando" os hábitos e costumes de uma cultura alienígena. "Pera aá" Mathew, a essa altura todo mundo já sabe que você é gringo, a true Englishman...mas cê tá no Rio, poxa! Desencana! Quem me dera estar aí vendo todas essas maravilhas...tô aqui na sua terra curtindo frio e chuva. Nao por isso. Aprendi a gostar daqui, assim. So, enjoy this Rio experience, but for that to happen, you'd have to bare yourself from any expectations or preconceived ideas you may have. We are not alliens! Neither the ones who come to join us."
      Cristina, Londres (Inglaterra)

      "Matthew Exell tem uma visão caricaturesca em relação ao Carnaval. Ninguém precisa se fantasiar de coisa alguma para participar da festa. Os "amigos", num comportamento bem brasileiro, devem estar brincando com a credulidade do britânico e ele leva a sério."
      Aldo Urban, Joinville (SC)

      "Para um gringo, como ele se retrata, ele tem uma concepção certa do que é o Saara. A meu ver, ele deveria curtir a bela festa com total criatividade, sendo ele mesmo. Beijos."
      Nelma Dias Pitanga, Rio de Janeiro (RJ)

      "Apesar de ainda estar um pouco "chocado" com o jeito carioca de ser, Matthew está no caminho certo para curtir o melhor carnaval do universo (um pouco pretenciosa, mas todo bom carioca da gema o é). Boa sorte Matthew!! Espero que você leve uma ótima impressão da minha gente."
      Renata Bolta, Londres (Inglaterra)

      "Este gringo não se parece com o pessoal que encontrei na Inglaterra. Está com um ar muito superior!!!"
      Marcelo, Americana (SP)

      "Acho que a foto que foi colocada aqui dá a impressão que todo "gringo" que for para o Brasil vai ter várias garotas a sua disposição. Mas isto não é totalmente verdade. "Para os trópicos observar os nativos" .... você dá uma conotação negativa com esta sentença.
      Juelich, Alemanha

      "O carnaval brasileiro é sensacional, é um autêntico delírio, quem me dera poder estar aí a desfrutar esta beleza."
      João Bapstista, Luanda (Angola)

      "Se o cara vier com colete à prova de balas, sobrevive numa boa."
      Luís Gabriel Brandão, Rio de janeiro (RJ)


      Esquentando os tamborins


      Matthew tem sua primeira
      experiência de folião


      Minha primeira experiência em um bloco foi no Carmelitas, em Santa Teresa, na sexta-feira antes do carnaval. Eu me sentia como um virgem: animado, mas um pouco nervoso. "E se eu me perder na multidão?", pensava. Um gringo solteiro no Rio de Janeiro? Os perigos parecem óbvios. Não que essa seja minha condição, mas é melhor ficar previnido. Felizmente meus novos amigos brasileiros se ofereceram para prender uma etiqueta em meu pescoco – “por favor, devolvam este gringo idiota para…”.

      Antes do bloco, no entanto, tem uma coisa que eles chamam “concentração”. Nao sei se tenho paciência para isso. Eu sei que carnaval é coisa séria para as pessoas daqui, mas de onde eu venho não é preciso se concentrar muito para aproveitar uma festa! Talvez eu pule essa parte, dê uma deitada, tome um banho um pouco mais longo. Estou aqui para a festa, nao para alguma reunião chata antes de a festa começar…

      Pouco sabia eu. Como poderia? Mas eu aprendo rápido…

      A casa da concentração fica no alto de uma ladeira. Para chegar é fácil e eu, desavisadamente, não prestei muita atenção nos traiçoeiros degraus. A vista é da Baía da Guanabara, dá para ver os aviões pousando no aeroporto Santos Dummont. E, segundo me disseram, para chegar ao bloco, basta descer a ladeira. É fácil.

      Depois da terceira caipirinha, começo a rir sozinho. Afinal de contas, a concentração é divertida, penso eu. Já na sexta caipirinha começo a achar que a concentração é a melhor idéia que já encontrei no Brasil. Todo mundo balança a cabeça, aquiescendo. Eles já sabiam disso. Mas isso não impede que eu tente convencê-los da minha mais nova conclusão.

      De algum modo, rolei ladeira abaixo. Eu nem me dou conta do começo do bloco. Mas em algum momento pré-arranjado, quando a bebedeira geral está perto do ápice, nós, de algum modo, já estamos no meio da festa. Isso é tão tipicamente brasileiro, penso eu, em um momento de clareza: nunca cedo demais mas nunca, nunca tarde demais…

      A gente dança e tropeça rua abaixo, o movimento de nossos corpos reflete a confusão alegre de nossas mentes. A gente canta e balança as mãos no ar, sorrindo enlouquecidamente para os estranhos e amigos, sem saber mais se somos nós ou o caminhão de som liderando o caminho. Nós somos o bloco, a vontade dele é nossa, e as latas de Brahma e Skoll das quais bebemos são intermináveis.

      E então, a certa altura – nem muito cedo, nem muito tarde – a música pára. Sem nenhuma ordem para que seguíssemos adiante, meus pés viram para o lado e meu corpo se encosta placidamente em um muro. Nem adianta olhar em volta e tentar descobrir onde estou. Em algum lugar de Santa Teresa, obviamente, já que o circuito do bloco não muda, por mais que a gente já não consiga mais reconhecer os lugares. Se olhar para a esquerda, continuo vendo a vista da Baía de Guanabara. Não posso estar muito longe.

      Graças a Deus tenho a etiqueta pendurada no meu pescoço. Pelo menos vou chegar a casa com esta referência. Porque, não importa o quanto eu tente, me dou conta de que não há meios de eu me concentrar em mais nada…

      Para saber mais sobre a viagem de Matthew ao carnaval, você pode visitar os websites dos programas Outlook (checar o site, por favor), The Ticket (idem) e The World (www.theworld.org), uma co-produção do Servico Mundial da BBC e da Rádio Pública Internacional.


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      "Abraços, Matthew, aproveita que você nunca mais vai esquecer do carnaval e provavelmente vai mudar de opinião que os brasileiros são todos índios."
      Jair Muller, São José (SC)

      "A palavra "nativos" usada pelo grindo não significa necessariamente preconceito. Eu poderia estar em Londres e, lá, dizer os "nativos londrinos" e não significar preconceito. Vamos deixar de ter complexos. Aqui, em Belo Horizonte, eu acho que os nativos são desconfiados. Neste caso, há um fundo de verdade. Von Martius e Spixx quando estiveram por aqui, há mais de 200 anos, acharam os índios desconfiados (e com razão). Os índios se foram mas os belorizontinos continuaram desconfiados ou , para ser mais preciso, os mineiros em geral."
      Galeano, Belo Horizonte (MG)

      "O carnaval é uma das características marcantes da cultura brasileira porque o próprio povo brasileiro tem o dom de ser criativo."
      Arthur Torres, Recife (PE)

      "Acho que os brasileiros, principalmente os que vivem no exterior estão esquecendo o português. Vejam no dicionário, o significado da palavra "nativos". Relaxem (sei que é difícil vendo o carnaval brasileiro de fora) como os cariocas e deixem o gringo curtir. Ele vai acabar amando, a sua maneira, o melhor carnaval do universo"
      Ricardo, Boston (EUA)

      "Caríssimo gringo. Recomendo um outro cuidado que você deve ter ao ir à praia no Rio. Nunca saia da água e deite direto na aréia, caso contrário você ficará paracendo um bife amilaneza."
      Hélio, Roma (Itália)

      "Muito divertidas as impressões dele sobre o nosso carnaval, com muito humor, parece até um filme cômico. Aproveite ao máximo, aposto que você não vai querer mais ir embora para sua terra."
      Isabelle Yalin, Toquio (Japão)

      "O Matthew Exell tem descrito o carnaval do Rio e as experiências pessoais de uma maneira bastante divertida e agradável de se ler. Espero que ele seja capaz de transmitir ao pessoal do norte da Inglaterra, a alegria, a beleza e a seriedade da nossa festa. É bom que ele não esqueça de citar a capacidade que o povo brasileiro em geral possui, de receber e tratar bem os gringos."
      Cristina Sekly, San Clemente (EUA)

      "Os gringos são assim mesmo. Chegam aqui reclamando e julgando tudo mas depois de 1, 2 semanas, já estão adorando as coisas daqui, principalmente a atenção que recebem!!! Exatamente como está acontencendo com o Matthew!!!"
      Daniella Silva da Conceição, Santo André (SP)

      "Acho que há coisas mais interessantes que muitos não sabem sobre o Brasil a serem mostradas no exterior."
      Rud Patrick Oliveira, Dallas (EUA)

      "Pobre gringo! Provou do fruto do conhecimento e a partir deste carnaval nunca mais voltará a ser o mesmo... Coitado, vai morrer de tédio quando voltar para a sua formal, pérfida e fria Inglaterra! Viva os nossos trópicos e tudo que temos aqui!!"
      João Gualberto Dias, Manhuaçu (MG)

      "Já deu para perceber que o inglês está mais relaxado, menos crítico... é isso aí, bom perceber que ele está perdendo aquela imagem preconceituosa que a maioria dos estrangeiros tem do Brasil... temos violência sim, mas temos também gente boa e muito calor humano!!! E viva a caipirinha!!! Enjoy man!!!"
      Eder, São Paulo (SP)

      "Não é que eu seja mal humorado, mas gostaria de saber se vocês não têm mais o que fazer ao invés de ficar se preocupando com o que os gringos irão fazer."
      Alves da Silva, Rio de Janeiro (RJ)

      "Carnaval no Brasil é assim, alegria do Norte ao Sul e de Leste a Oeste. Alegria essa para ser gasta no restante do ano. Bom não conheço a Inglaterra mas lá há comemorações que movimentam centenas de pessoas para festejar a alegria?"
      Fabio Teodoro dos Santos, São Paulo (SP)

      "É isso aí meu velho, logo logo acaba essa sua agonia. Daí é bravo, pois a agonia posterior é que chegue o carnaval do ano que vem!"
      Fabrício P. Monteiro, Brasília (DF)

      "Que importa o que o inglês acha! Como ele está no Brasil, ele vai dizer que é uma maravilha, que adora. Mas a realidade não é esta. Basta você não ter a cara de brasileiro que eles soltam a língua e falam o que realmente pensam."
      Tadashi Sagawa, Osaka (Japão)


      Buscando energias para continuar


      Matthew não conseguiu acompanhar
      a energia dos brasileiros


      Verdade seja dita: os brasileiros têm energia.

      Eu não sei qual é o combustível, não sei se é assim o ano todo, mas de onde venho, as coisas vão um pouco mais devagar.

      Por exemplo, veja os pubs na Inglaterra. Às onze da noite, todos fecham, e a gente é obrigado a ir para casa. Tudo bem, não é assim uma noitada, mas é tempo suficiente para a gente ficar bêbado e se divertir. E significa que podemos sair todas as noites, porque raramente vamos dormir muito tarde.

      Mas aqui? Como vocês sabem, estive no Bloco das Carmelitas na sexta-feira. E, na concentração, o principal assunto era o bloco da manhã seguinte, o Cordão do Bola Preta, nas ruas do centro. Um bloco de manhã? Depois de uma noite dessas? "A que horas?", perguntei esperançoso. Nove da manhã foi a resposta. Isso dá medo.

      Justamente quando eu começo a acreditar que estou pegando o jeito da coisa e que em breve vou brincar o Carnaval como um verdadeiro carioca, descubro que, depois de passar a noite toda dançando e tendo bebido pelo menos dez caipirinhas, tenho que acordar dentro de quatro horas para ir a outro bloco. Dançando e bebendo de novo. A esta hora da manhã?

      "Isso não é nada", me dizem meus amigos cariocas. Na verdade, eles se gabam. Em outras cidades brasileiras, há blocos ainda maiores e que começam em horas ainda mais improváveis. Socorro! E vocês ainda querem que eu vá para lá? Como se espera que eu sobreviva a uma maratona dessas?

      De onde venho, não fazemos coisas desse jeito. Os pubs só abrem por volta do meio-dia, e é então que começamos a beber. E eu, em particular, não sou exatamente um madrugador… A manhã não é o meu melhor momento do dia. Mas vou tentar dar o melhor de mim mesmo. Sou um gringo determinado e estou aqui para provar o verdadeiro Carnaval do Rio.

      Penso com os meus botões que não pode ter tanta gente assim em um bloco que sai no sábado de manhã. Afinal, quem é que vai querer acordar tão cedo depois da primeira noite de Carnaval, só para começar a dançar e beber de novo, no meio de uma ressaca terrível, quando ainda há mais quatro dias e noites pela frente?

      Mas, de qualquer jeito, tento me preparar para o desafio. Faço questão de tomar bastante cachaça no meu primeiro bloco, e todo mundo me diz que é um bom combustível. O samba do Salgueiro sobre cana-de-açúcar diz que o combustível do futuro é brasileiro… Eles só podem estar falando da cachaça!

      Um pouco de caldinho de feijão também é uma boa opçãol. Enche a barriga, é o prato nacional e, se funciona para os brasileiros, acredito que também deva funcionar para mim. A não ser que os meus motores ainda não estejam adaptados. Mas devem estar, acredito, porque a cada dia me sinto mais e mais perto de me tornar um carioca…



      Enquanto isso, os foliões seguiam
      com a festa mesmo depois do fim do bloco


      Taí, problema resolvido, penso eu, tenho o combustível certo para a jornada. Estarei lá, vou provar o Carnaval do Rio e vou provar para todo mundo que esta história de bloco de manhã cedo não pode ser o melhor bloco da temporada.

      Mas, quando acordo no sábado de manhã, não é mais de manhã. Ligo a TV. A imagem está meio embaçada, algo deve estar errado com o aparelho. Não, é algo errado comigo, porque quando pisco a imagem melhora. Vejo milhares de pessoas nas ruas do centro. Elas parecem genuinamente felizes de estarem no Bola Preta. "Como é que elas conseguem?", me pergunto. E a minha cabeça dói. Muito. Tenho problemas no motor. E ainda é só o começo
      .

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      "Pobreza no Brasil é cultura. Ser pobre é fashion, é o must, etc.. Todos os meios de comunicação fazem a apologia à pobreza. Quando vem um presidente de um país estrangeiro para visitar o Brasil, tem três coisas que estão no protocolo do Itamaraty: 1. Almoço com as bahianas do ACM dançando ao fundo; 2. Visitar uma favela no Rio de Janeiro; 3. Visitar uma quadra da escola de samba, com uma mulata dançando. Essas imagens vão para o satélite, o mundo inteiro vê isso, querem que eles pensem o quê???"
      Jefferson Magalhães, Florianópolis (SC)

      "Eu particularmente não gosto de Carnaval, mas moro em Londres e os ingleses acham que o Brasil inteiro pula Carnaval durante quatro dias, quando digo a eles que este não é o meu 'cup of tea' eles ficam surpresos, enfim acho o carnaval maravilhoso e admiro os carnavalescos e toda a festa, porém poderíamos mandar notícias mais reais do nosso Brasil, afinal nem tudo é Carnaval."
      Joset, Londres (Inglaterra)

      "Apesar de todas as mazelas, o brasileiro é um povo que sabe se divertir, e o faz como ninguém mais nesse mundo. Falo com conhecimento de causa."
      Fernanda Rubinger, Belo Horizonte (MG)

      "Cachaça??? Cuidado, gringo! Fica no caldinho de feijão ou no de mocotó. A euforia pode ser conseguida com umas cervejas intercaladas com os caldinhos. Vocês comprimiram no 'horário do pub' o que fazemos durante 24 horas de Carnaval."
      Bemildo A. Ferreira Filho, São Paulo (SP)

      "Matthew, você realmente parece ser gente fina, mas eu gostaria de te lembrar que nem todos os cariocas (e também demais brasileiros) gostam de Carnaval. Eu, por exemplo, abomino o fato desse país parar por quatro dias seguidos, ainda mais com a crise econômica em que vivemos. Não curto também virar a noite, pois sou muito trabalhador e estudioso. Logo, o Carnaval em nada me anima, sobretudo pela exposição exagerada de corpos nus, tão valorizada pela mídia. Infelizmente, é essa a imagem que passam do meu país lá fora. Sabe, com desemprego, analfabetismo, exploração infantil, prostituição, violência e corrupção, as pessoas querem de qualquer maneira provar a si e para os estrangeiros que esse é um país feliz. Será? Roma dava 'pão e circo' para o povo."
      Celso Pinheiro, Rio de Janeiro (RJ)

      "Matthew, pela sua narrativa, você parece ser um gringo maneiro, apesar de eu estar em Brasília a trabalho não deixo de pensar em carnaval, apesar de Brasília ser meio "Sheffield" , as coisas aqui também vão devagar, espero que você curta bastante e revele para a Inglaterra e o mundo que o Brasil é maravilhoso, um abraço e que você tenha muita energia."
      Max Couto Steegmüller, Brasília (DF)

      "Com tantas decepções durante o ano com desemprego, violência, corrupção na política, etc, esta energia e alegria é um meio de tentarmos esquecer tudo isso."
      Lúcio Furuta, Minokamo (Japão)

      "Eu tenho muita dó desse gringo... tudo bem que ele vai sofrer um pouco, mas voltando ao Reino Unido ele vai fundar uma escola de samba e comprar um alambique de cachaça só para matar as saudades do carnaval."
      Rodrigo Almeida, Londrina (PR)

      "Este gringo não será o mesmo, após esta experiência carnavalesca no Rio."
      Marcelo Cavalcante

      "O carnaval é a única época do ano em que todos acreditam nas fantasias que vestem, e isto é o que de mais importante há! Se um gringo crê ser carioca então,com certeza, ele está divertindo-se muito."
      Fábio Luís, São Paulo (SP)

      "Nem todo brsileiro gosta de carnaval.A impressão que se passa a esses gringos é de um pais mergulhado na farra,totalmente pitoresco com seus "nativos" nus, bebados e curiosamente despreocupados com relação a sua condição indigente."
      Denise, Curitiba (PR)

      "Valeu!!! Achei super legal a narrativa e não fico nada ofendido de ser chamado de nativo, pois somos(cariocas) exatamente assim. Alegres, sacanas, dançantes, descontraídos, amantes do sol, das praias, do verão, da "mulhegada", do Mengão, da Verde-e-Rosa, e por aí vai ..... É sempre um grande prazer dividir a nossa Cidade Maravilhosa com todos os nativos de outras partes do mundo. Todos são nativos de algum lugar."
      João Batista A. Fernandes, Rio de Janeiro (RJ)

      "No começo, como vários, também me incomodei com a expressão nativo. Mas depois pensei que gringo tbém não é muito diferente. Enfim, tenho certeza que no final ele vai adorar. Boa sorte para ele e recomendo da próxima vez ir para Recife e ver um verdadeiro carnaval de rua."
      Hermann S de Almirante, Osasco (SP)

      "Olá Matthew. Nosso povo assim mesmo:alegre,irreverente,cheio de energia,aprenda um pouco a ser feliz aqui conosco."
      Fernando Vieira, Salvador (BA)

      "Meu filho : você está no lugar errado. Se não tem samba no pé, não tem como acompanhar os brasileiros."
      Edson Zerati, Votuporanga (SP)

      "Matthew, caia na farra e aproveite que essa bagunça é só uma vez por ano!"
      Júlio Valério, Espírito Santo do Pinhal

      "Vejo que somos um país, em desenvolvimento. Buscamos sempre estar com nossas energias concentrada. Já no país do nosso colega Matthew, o ritmo é outro. Nesta época, tristeza é superado sempre alegria PRESENTE."
      Carlos Adriano, Porto Velho (RO)

      "Talvez canalizando todas essas energias para outras áreas os brasileiros conseguissem que o Brasil fosse, finalmente, o "país do futuro" há tanto tempo esperado e para o qual possuem matéria prima mais que suficiente."
      Eduardo, Benavente (Portugal)

      "Qual o interesse de sabermos a opinião de um gringo sobre a cultura brasileira (ou melhor dessa cultura carnavalesca apenas)? A resposta é clara: Turismo! O Brasil atrairá mais gringos no futuro...no entanto é essa cultura sexual que os atrai e nada mais (sem esquecer a beleza natural)...preferiria que as razões que tornassem o Brasil atraente no exterior fossem outras (como segurança, educação, distribuição de renda,...)...Me diz aí Matthew o que você vai contar para os seus amigos da inglaterra de como é o Brasil com seus "nativos" porrados e pelados pelas ruas?"
      Rafael C. Mendonça, Niterói, (RJ)


      Acompanhando o 'nado sincronizado'


      Matthew Exell achou
      o sambódromo 'enorme'


      São 8h15 da noite e estou me preparando para ir ao sambódromo, assistir à primeira noite dos desfiles das escolas de samba.

      A empolgação cresce. Apesar de ter chovido à beça esta noite, espero me divertir. Não tenho guarda-chuva ou capa, mas certamente vou ficar até a última escola passar.

      Quando ouvi falar do Carnaval do Rio pela primeira vez, através de imagens desconexas no noticiário da TV inglesa, a impressão que tive foi a de uma gigantesca competição de nado sincronizado.

      Você tem que entender. Lá estava eu, em um país distante, num dia gelado de inverno, vendo imagens de algum lugar tropical, com milhares de pessoas praticamente peladas. Havia muita purpurina, pessoas se mexendo freneticamente, seguindo uma espécie de coreografia, e a bateria ao fundo. Muito, muito longe da minha realidade.

      Mas, desde que cheguei aqui e desde que o Carnaval começou, tenho visto gente usando fantasias nas ruas, blocos e bandas aparecem de repente, do nada, para desaparecerem em seguida atrás de alguma esquina, e tenho visto restos de confete e serpentina pelas ruas. Agora, estou prestes a ver a coisa para valer…

      Ao chegar ao sambódromo, a primeira coisa que noto é a enormidade do lugar. Tudo é grande: as distâncias para andar são longuíssimas e cada escola de samba parece interminável.

      A competição de nado sincronizado gigante é ainda maior do que eu imaginava!

      Enquanto entrevistava gente sobre o Carnaval, me disseram, mais de uma vez, que o desfile das escolas de samba é como uma ópera popular. Bem, dezenas de milhares de pessoas vieram ao sambódromo assistir a uma maratona de óperas, com os mais esquisitos e interessantes figurinos que já vi. É verdade, a música e a dança não parecem ópera, mas, para mim, o conceito é o mesmo. Pelo menos fui convencido pela performance desta noite.

      E é uma maratona bastante variada: cada escola bem diferente da outra. A Unidos da Tijuca e a Grande Rio estão entre as minhas favoritas. Sei que elas não estão entre as "favoritas oficiais", mas as fantasias da Unidos da Tijuca, que falava sobre o sonho da ciência, eram fantásticas.

      Fui ao ensaio deles há duas semanas. O enredo me pareceu intrigante, e fiquei perguntando pelas fantasias. Ninguém disse nada sobre elas, ou sobre os carros alegóricos. Na verdade, ninguém parecia saber muito bem sobre o que era o enredo. Mas, para mim, funcionou muitíssimo bem. Nunca esperei que o desfile de uma escola de samba me fizesse rir alto, mas os conceitos da Unidos da Tijuca eram inteligentes e fantasticamente criativos.

      O desfile da Grande Rio também foi fantástico. Várias idéias completamente loucas sobre sexo: o enredo estimula o uso da camisinha. Algumas das fantasias masculinas consistiam de bonecas, parecendo infláveis, penduradas nos pescoços dos homens com as pernas abraçadas nas cinturas deles. O efeito é ótimo.

      Os carros alegóricos, o cenário, são provavelmente ainda maiores do que os que se vê em uma ópera. Vários deslizam pela avenida com enormes sinais dizendo "Censurado".

      Mas a imagem de nado sincronizado não sai da minha cabeça. E me faz chegar a uma conclusão que pode parecer muito estranha. Bom, pelo menos pareceu estranha para mim.

      Tudo bem, eu reconheço: o samba é genuinamente brasileiro. Mas o conceito de uma escola de samba… tem que ser inglês, não?! Toda a organização, os supervisores dirigindo cada ala e dizendo às pessoas para onde andar e como se mover, toda a questão do tempo e, sim, o movimento sincronizado… Para mim, parece organização britânica. E ainda todos os fatos e estatísticas que os analistas de escolas de samba discutem detalhadamente e interminavelmente. Isso também é tipicamente inglês, é o tipo de obsessão que a gente tem colecionando selos.

      Hmmm… talvez esteja mais perto de me tornar um carioca sambista do que jamais estive. Ou os sambistas cariocas são muito mais ingleses do que se dão conta! Parece ainda haver esperança para mim, na minha missão de me encaixar no Rio…


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      "O Carnaval da Bahia é mais bonito do que o do Rio de Janeiro. Não gosto do fato de mulheres brasileiras serem vistas como "fáceis" ou "vulgares" no exterior. A imprensa internacional não mostra como é a vida na favela para se fazer o carnaval e mostra somente mulheres nuas de classe média que vão para fazer autopromoção."
      Raquel Paim, Belo Horizonte (MG)

      "Um pouco sobre o tão falado "nativo". Eu quando aqui cheguei me surpreendi ouvindo eles se referirem a eles e aos outros, como "nativos". Para nós brasileiros, um povo com um enorme complexo de inferioridade, ainda se sentindo colonizado, nos ofendemos. E isso soa como ofensa, e não como ter vindo de um país. Os nativos de língua inglesa escrevem em seus currículos, quando mandam para serem professores de inglês em outros países, 'falo inglês nativo'. Mas para o brasileiro soa como se fosse indígena, índios, caboclos... e todos esses por acaso não são nativos do mesmo país que nós brasileiros 'colonizados'? Agora mais uma coisa sobre "pelados", não entendo tanta indignação dos estrangeiros se referirem a isso, por acaso não somos uma nação de pelados? Então não vamos nos ofender quando os estrangeiros se referirem como 'um pais de pelados'. Deveríamos nos orgulhar, se trabalhamos tanto para vender toda essa peladagem a fora! Como queremos 'vender' uma imagem se nós mesmos não a temos de nós mesmos! Vendemos uma imagem dentro do país, para nos nativos, e uma outra completamente diferente para os nativos de outros países. Se queremos mudar nossa imagem fora do país, devemos começar a mudar dentro do nosso coração e dizer: Eu sou nativo do Brasil, e falo o português nativo. O que os outros pensam de nós, não deveríamos nos preocupar, mas sim com o que pensamos de nós. Nativos do Brasil. Com muito orgulho, sim senhor."
      Joana Silva-Cradock, Austin (EUA)

      "Que bom que você esteja tendo uma impressão positiva do maior espetáculo da Terra!"
      Bion, Rio de Janeiro (RJ)

      "Parabéns pelo trabalho, Exell. Apenas gostaria de sugerir que não reclamasse da folia pois, aqui na Noruega, eu só vejo desfile de neve além da dança dos termômetros ora acima ora abaixo de zero. Quando vejo o Carnaval aí pela televisão, fico até com depressão. Ah Brasil, quanta saudade!"
      Fred Felix, Trondheim (Noruega)

      "Achei divertido o Matthew pensar que só inglês sabe fazer as coisas de maneira organizada. Mais ainda pelo fato de que a Inglaterra, apesar da fama de eficiente, é uma grande baderna, se comparada a outros ditos países do Primeiro Mundo."
      Muriel Ebert Gomes, Londres (Inglaterra)

      "Caro Matthew, você não pode ver todos os cariocas ou os brasileiros da mesma forma.... Cada um de nós tem uma concepção diferente da importância do Carnaval... Para alguns o Carnaval é tudo, o momento mágico do ano, é a vida... Já para outros (como eu mesmo) é apenas uma festa divertida como muitas outras... Não se pode generalizar. Se você gostou do que viu, vá em frente e pule até não poder mais. Se não gostou (como muitos brasileiros também), fuja dele."
      Marcelo, Rio de Janeiro (RJ)

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