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o que a economia Alemã pensa da economia Brasileira

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  • o que a economia Alemã pensa da economia Brasileira

    16.08.2004
    ERNST WELTEKE

    WELTEKE: Os países que realizaram privatizações
    estão num nível econômico melhor


    Um banqueiro contra o crime - Presidente do poderoso Banco Central da Alemanha veio ao Brasil sem convite oficial para verificar se a criminalidade e a corrupção são fortes o suficiente para atrapalhar investimentos


    Aprendiz de mecânico de máquinas agrícolas na adolescência, o alemão Ernst Welteke tornou-se, aos 57 anos, um dos homens mais fortes da economia mundial. Ele tem um metro e noventa de altura e ostenta um porte físico de lenhador, mas isso é o de menos. A força de Welteke vem do cargo que ocupa desde setembro do ano passado, presidente do Banco Federal da Alemanha, o Bundesbank, âncora da reestruturação econômica pela qual passam a Europa e seu processo de unificação. Com ficha assinada no partido social-democrata do chanceler Gerhard Schroeder, ex-deputado e, sucessivamente, ministro da Economia, Transportes, Tecnologia e Finanças do Estado de Hesse, ele tem exercido seu poder atual com determinação. Welteke gosta de falar mal de juros altos e tem-se mostrado coerente com o discurso. Já derrubou em mais de três pontos porcentuais a taxa de juros alemã, estipulada atualmente em 3,9% ao ano. Contribuiu diretamente, assim, para a redução a um dígito da taxa de desemprego no país, que insistia em oscilar entre 11% e 12%, mas agora está na casa dos 9%. A cada manhã de quinta-feira, quando não está viajando, Welteke se reúne com os ministros da Fazenda e da Economia e manipula cordéis que podem alterar o rumo das coisas lá e alhures. Afinal, um gesto seu pode fazer com que as multinacionais alemãs espalhadas pelo planeta reorientem bilhões em investimentos. Além disso, ele participa pessoalmente de todas as reuniões de autoridades econômicas dos países mais ricos, cuja influência sobre os destinos dos recursos do Banco Mundial é decisiva.

    Este homem está preocupado com o Brasil e o futuro da nossa economia. As notícias daqui que lhe chegam na Alemanha tem mais a ver com criminalidade, corrupção e crise social do que com estabilidade da moeda, controle de inflação e cumprimento das metas do FMI.

    Por isso, mesmo sem ter sido convidado por ninguém, ele aproveitou na semana passada uma visita à Argentina – esta sim realizada a pedido de banqueiros locais – para conhecer pela primeira vez a cara do Brasil. Ao chegar, soube que o cônsul alemão em São Paulo, Hans Benesch, havia sido atingido por uma bala perdida em fevereiro, durante uma tentativa de assalto em Interlagos, bairro da violenta zona sul paulistana. “Escapei da morte graças aos médicos Brasileiros”, contou o cônsul, que necessitou de duas operações no estômago para ser salvo. Na quarta-feira da semana passada, Welteke jantou em São Paulo com representantes de empresas alemãs. Na noite seguinte, antes de embarcar de volta para seu país, dividiu talheres no Rio de Janeiro com o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Entre esses encontros, abriu sua agenda para uma entrevista exclusiva à DINHEIRO, na suíte do hotel em que ficou hospedado. Estava de ótimo humor, insuficiente, porém, para pronunciar frases adocicadas. Com seu jeito calmo e pausado, chamou mais atenção pelo maneira franca de ser. Em lugar de uma entrevista politicamente descompromissada, ora em inglês, ora em alemão, ele optou pela sinceridade.

    DINHEIRO – Qual é a imagem do Brasil na Alemanha?
    Ernst WeltekeMuitas cabeças alemãs têm na memória a crise do Brasil de dois anos atrás, quando o real sofreu uma forte desvalorização frente ao dólar. Isso é um problema. Essas cabeças, agora, não têm a informação de que aqui está melhor. Não sabem o que se passa na economia de vocês. Mas eu estou vendo que a situação aqui está melhor e tenho interesse em passar essa mensagem adiante.

    DINHEIRO – O que mais o sr. pode dizer?
    WeltekeCriminalidade e corrupção. Todos na Alemanha conhecem sobre criminalidade e corrupção no Brasil. Para investimentos europeus aqui, isso é perigoso.

    DINHEIRO – Há mais algum problema que tenha chamado sua atenção nesta primeira visita ao Brasil?
    WeltekeSim, as diferenças entre salários dos trabalhadores. Uma pessoa tem salário muito alto, outra, muito baixo. A diferença é enorme. Os grupos de pessoas são absolutamente distintos. Isso é uma fonte para uma crise social e, também, econômica.

    DINHEIRO – O atual cenário Brasileiro pode inviabilizar novos negócios entre a Alemanha e o Brasil?
    WeltekeA Europa como um todo tem interesse em cooperar com o Brasil, e a Alemanha, em particular, também; afinal o Brasil domina o mercado na América do Sul. Fiquei feliz pela presença do Brasil em Hannover e também pela presença pessoal do presidente Cardoso lá. Foi uma garantia muito boa para o futuro.

    DINHEIRO – Mas o que está melhor no Brasil hoje do que no passado?
    WeltekeAs autoridades governamentais Brasileiras são de alto nível e têm demonstrado muita responsabilidade na condução da economia. Estive pessoalmente por três vezes com o ministro Pedro Malan, em Frankfurt, Tóquio e Washington, durante encontros internacionais, e ele sempre demonstrou muita coerência sobre as posições Brasileiras.

    DINHEIRO – Há perspectivas de investimentos diretos da Alemanha para o presente?
    WeltekeNão vou falar em números. A Alemanha tem no Brasil pelo menos 20 companhias de grande porte. Essas empresas estão localizadas em diferentes regiões do País e têm realizado investimentos constantes. São, certamente, programas que irão prosseguir normalmente. Como os investimentos são privados, não posso falar sobre números, pois não os tenho.

    DINHEIRO – O Brasil é o campeão mundial das taxas de juros. Como o sr., que está baixando os juros na Alemanha, vê esse fato?
    WeltekeO Brasil está praticamente parado e o futuro do desenvolvimento econômico Brasileiro depende da baixa nas taxas de juros. As autoridades de vocês estão preocupadas com isso e têm trabalhado na direção certa. Mas os juros são ainda realmente altos e isso prejudica o consumo interno. É importante que as taxas baixem para que haja investimentos de empresas privadas. Para que isso aconteça, a economia precisa de uma urgente reforma. Na Alemanha, vivemos uma situação muito semelhante. Depois do último chanceler (Helmut Kohl), o governo promoveu uma reforma na economia e, agora, estamos crescendo de novo. As taxas de juros estão baixas e o índice de desemprego na economia foi reduzido sensivelmente. Meu ponto para você é este: investimentos diretos são importantíssimos para o futuro da economia Brasileira, o caso número um. É preciso que haja uma entrada de capital mais alto. Isso vai reforçar o crescimento econômico Brasileiro.

    DINHEIRO – O Brasil tem privatizado suas estatais, exatamente para atrair investimentos. O ritmo das privatizações é adequado?
    WeltekeNão sei se esse processo poderia ir mais rápido ou se deveria ir mais devagar. O que sei é que todos os países que realizaram privatizações estão num nível econômico melhor do que antes. Um bom exemplo é o que tem acontecido no setor de telecomunicações. Está havendo uma grande mudança mundial neste setor. As conseqüências são todas favoráveis. Os preços ao consumidor baixaram e o saldo geral tem sido muito positivo.

    DINHEIRO – O sr. veio ao Brasil para se encontrar com o presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Qual será o tema da conversa?
    Welteke Basicamente quero saber do sr. Fraga se a estabilidade econômica verificada agora no Brasil, um fato bastante positivo, será duradoura. Saber se o quadro atual vai durar por mais dois ou três meses ou por mais tempo, por um longo prazo. É neste sentido que quero ouvi-lo.

    DINHEIRO – O sr. esteve na Argentina antes de visitar o Brasil. Que comparação pode ser feita entre os dois países?
    WeltekeAs perguntas feitas aqui são muito parecidas com as que me foram feitas lá. Inclusive esta. Eu estive com o presidente (Fernando de la Rúa) e com o seu ministro da Economia (Jose Luis Machinea). Foram encontros bastante produtivos. Comparativamente ao Brasil, a situação na Argentina neste momento é mais complicada. O Brasil é o maior mercado da América do Sul, mas não é toda a América do Sul.

    DINHEIRO – O setor financeiro Brasileiro passa por um processo de reformulação. De três anos para cá, dos dez maiores bancos Brasileiros restaram apenas três. Como o sr. interpreta esse dado?
    WeltekePara nós não é importante que vocês tenham três ou mais bancos. Importante é que haja capital no País. Nesses tempos de nova comunicação, há uma tendência mundial de concentração dos bancos. Eles serão maiores, mais fortes, com mais clientes. Na Alemanha neste momento há três grandes bancos que detêm 90% do capital do país. Lá existem três mil agências bancárias e o sistema goza de boa saúde. Os bancos, tanto os privados como os cooperativados, são muito fortes e devem continuar assim. Essa maior concentração é natural. A tendência é de os bancos ficarem ainda maiores e, no futuro, haverá cada vez mais fusões entre bancos internacionais.

    DINHEIRO – O Brasil, neste momento, tenta vender um grande banco, o Banespa. O sr. gostaria de comprá-lo?
    WeltekeSeria realmente muito bom para o Banco Central alemão comprar o Banespa (risos), mas não tenho autorização legal para comprar banco nenhum. Não posso fazer isso. Sei que há bancos privados alemães com interesse em fazer ofertas pelo Banespa. Vários bancos alemães já têm pequenas participações em bancos Brasileiros.

    DINHEIRO – Grupos financeiros Espanhóis e Portugueses compraram grandes participações em bancos Brasileiros nos últimos tempos. Por que os bancos alemães não tentaram fazer o mesmo?
    WeltekeNão sei. Eu vou perguntar isso aos banqueiros alemães em Frankfurt.

    DINHEIRO – O euro sofreu recentemente uma desvalorização frente ao dólar. Quais são as perspectivas da moeda única européia?
    Welteke – Na Europa estamos unidos. O euro agora está em baixa para levantar com mais força no futuro. Queremos que essa subida se dê com estabilidade, e é isso o que vai acontecer.


    DINHEIRO – O sr. ocupa uma posição central na economia mundial. As últimas crises foram provocadas por problemas na Rússia e na Ásia. De onde pode surgir um novo foco de problemas?
    Welteke Eu não quero ser o responsável por abrir uma nova crise na economia mundial. Não posso responder a essa pergunta.

  • #2
    Esta informação está meio desatualizada. Justamente este Sr., que andou aceitando presentinhos do Dresdner Bank foi obrigado a se demitir, para não ser demitido da Presidencia do Banco Central Alemão.

    Kalle
    Deus, do alto de sua sabedoria foi socialista em apenas um fator: na distribuição do tempo; ele é igual para todos.

    a gente se fala,

    Kalle

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