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Olga

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      O filme do diretor Jayme Monjardim é honesto. Honestamente ruim. O diretor, o elenco, a produção em geral, todos dão o melhor de si para o projeto. Infelizmente, o seu melhor não é suficiente.

      Filme: Olga
      País: Brasil
      Idioma: Português
      Ano: 2004
      Direção: Jayme Monjardim
      Roteiro: Rita Buzzar, baseado no livro "Olga" de Fernando Morais
      Gênero: Drama
      Elenco: Camila Morgado (Olga Benário), Caco Ciocler (Luís Carlos Prestes), Fernanda Montenegro (Leocádia Prestes), Luís Mello (Leo Benário), Eliane Giardini (Eugénie Benário), Jandira Martini (Sarah), entre outros.

      O filme palpita de honestidade, de esforço sincero de envolver e de comover. E derrapa na sua fórmula novelesca e superficial. Coisa diferente não se poderia esperar do diretor do absurdo folhetim televisivo “O Clone”, que trouxe de carona parte substancial do elenco da minissérie global “A casa das sete mulheres”, inclusive a protagonista.

      “Olga” revela porque o Brasil não tem um cinema popular de grande porte. Estamos condenados à telenovela. Nossa vocação é o melodrama. Nas mãos do nosso cinema, uma história como a de Olga e Luis Carlos Prestes se transforma num novelão choroso.

      O problema não é apenas a opção temática de retratar em primeiro plano a vida particular e familiar do casal de protagonistas, em lugar da problemática histórico-política, opção de todo modo legítima no cinema de entretenimento. O problema é a incapacidade prática de dar a esse conteúdo um aspecto que não seja tão piegas, afetado e caricato.

      Quem tem dúvidas sobre a convenção novelística predominante espere para ouvir a trilha sonora, sobrecarregada de arpejos e floreios de violino. O excesso de pieguice musical acaba por tirar a dignidade de muitas cenas. Se a música é um ponto fraco, pelo menos a reconstituição visual do período em questão merece um destaque positivo.

      O “padrão Globo de qualidade” chega ao cinema brasileiro. Em termos de cinema nacional, estamos falando de uma superprodução.

      Aspectos técnicos à parte, o que sobressai porém é o esvaziamento da História. A História desaparece e cede lugar à vida privada. O significado ideológico das lutas se dilui no drama pessoal. O heroísmo das figuras principais se desvanece num idealismo vago e abstrato.

      O contexto histórico é tão somente um pano de fundo frouxo para os episódios rocambolescos de uma aventura desesperada. Que Olga e Prestes tenham sido comunistas aparece como um acidente em suas vidas, idêntico ao que teria sido se fossem anarquistas, naturistas ou budistas.

      É o “seu trabalho” que fortuitamente os transforma em figuras trágicas. O fiasco do levante comunista de 1935 aparece como algo totalmente inexplicável, sem pé nem cabeça, totalmente desarticulado, mero pretexto para que em seguida os revolucionários sejam perseguidos.

      Em momento algum o espectador é convencido de que existiram revolucionários no Brasil. Gente lutando para derrubar o governo, e coisa e tal. Não parece real. Não parece algo que o espectador seja capaz de associar ao que acontece no Brasil real. Revolução no Brasil? Só em filme mesmo. Só como ficção. Aí está Lula, que não nos deixa mentir.

      Entretanto, a história de “Olga” não é ficção. A história é real, e o problema é que no filme não parece real. Parece filme. Ou seja, a história do Brasil não convence no cinema. Não vira História com “h” maiúsculo. Se bem que o embotamento da consciência histórica é um fenômeno cultural geral peculiar à nossa época, fenômeno do qual “Olga” é apenas um sintoma.

      Apesar dos seus problemas de concepção e execução, o filme não deixa de produzir algumas frases antológicas, através das quais os aspectos verdadeiramente interessantes do seu conteúdo histórico vem à tona:

      1 Em 1928, no trem à caminho da União Soviética, ao lado de seu mentor Otto Braun, Olga diz que: “Na União Soviética falta tudo, mas existe liberdade.” Essa frase é dita no momento mesmo em que o terror stalinista começava a grassar de maneira implacável e excluir qualquer possibilidade de um legítimo desenvolvimento socialista da Revolução Russa.

      Em face do que foi a experiência do “socialismo real” sob Stalin, essa frase expressa de maneira crua a trágica ilusão que viciou todo o movimento comunista do século XX. A ilusão de que a URSS fosse o “modelo” para o comunismo mundial.

      1- Ilusão mantida a ferro e fogo pelo sectarismo e pelo fanatismo dos PCs mundo à fora, e que por sua brutal falsidade desacreditou perante a consciência humanista a idéia de comunismo. Uma grave perda da qual a causa da emancipação humana ainda não se recuperou.

      2 - Contraposta ao idealismo de Olga, surge a pérola de cinismo de Manuilski, esbirro de Stalin no Comintern: “O mundo inteiro vai ser comunista. Com exceção da Suíça. Porque em algum lugar a gente precisa descansar do comunismo.” Olga não entendeu essa frase. Ou fez que não entendeu. Não lhe passava pela cabeça que o camarada Manuilski pudesse realmente querer descansar do comunismo.

      Que o comunismo de Manuilski fosse uma farsa encenada perante o povo da URSS. Uma farsa na qual o povo carregava a cruz da construção do socialismo e a elite do partido desfrutava dos privilégios da antiga autocracia czarista. Com direito a desejar férias no paraíso capitalista da Suíça. O cansaço de encenar essa farsa perante o povo dá o ensejo para o cinismo auto-indulgente do camarada Manuilski. Para alguém que realmente acreditava no comunismo como Olga, esse tipo de pensamento era inalcançável.

      3 - Olga diz à sua amiga Szabo em certo momento: “Eu nunca vou entender o Brasil.” O Brasil certamente representa uma experiência desconcertante para quem está acostumado a pensar nos termos da racionalidade européia transparente e linear. No momento em que a repressão ao recente levante comunista ainda corre solta, o povo festeja o carnaval na rua.

      Olga observa a festa pela janela e descobre uma espécie de beleza inocente na alegre alienação daquele povo negro fantasiado de nobre para o tríduo momesco. Que alegria é essa? Esse povo parece feliz! Como pode ser isso? Será que esse povo é realmente feliz? Feliz em sua miséria? Esse povo não precisa do comunismo? Não quer o comunismo?

      4 A frase anterior de Olga se conecta diretamente com a pergunta expressa em outro momento: “Esse mundo não quer ser transformado?” Essa pergunta fundamental se desdobra em uma multidão de interrogações.

      A que se propõe realmente o comunismo? Não é o comunismo a única saída para a liberdade e a felicidade dos povos? O que um povo precisa fazer para ser feliz? O que é ser feliz? Sem respostas para essas interrogações, é impossível entender o Brasil.

      O que torna mais complicado entender o Brasil, o mundo, a humanidade, é que não existe uma negatividade absoluta. A negatividade histórica é sempre relativa à dimensão das realizações humanas positivamente possíveis.

      A humanidade pode ser muito melhor do que atualmente é. O mundo sob o regime do Capital é uma realização humana deformada, mas ainda assim humana. O Capital precisa do Homem, não existe sem ele.

      A humanidade, por sua vez, não precisa do Capital e pode existir sem ele. A humanidade pode existir antes, durante e depois da fase histórica transitória do regime do Capital, sempre lutando para encontrar a si mesma.

      A humanidade encontra a si mesma num momento como o carnaval visto por Olga. Mas o carnaval não é o substituto feliz para o malogrado projeto da Revolução. O carnaval não pode ser a salvação para a humanidade. Ele é certamente parte indispensável da receita, mas não toda ela.

      Eis uma alquimia que Olga não pôde entender completamente em sua curta vida, enriquecida e também truncada por sua passagem pelo Brasil. Para adentrar nesse terreno das ilusões e motivações pessoais, nada mais próprio do que abordar a confusão que reinava em suas concepções acerca de relações pessoais.

      O comunismo de Olga excluía o relacionamento amoroso, assim como qualquer forma de sentimentalismo devotado a “excrescências da vida burguesa”, como por exemplo a família. Prestes aparece como o príncipe encantado (o “cavaleiro da esperança”) que a livra desse engano e a ensina a se relacionar de maneira satisfatória com sua condição de mulher e posteriormente, de mãe.

      Só então ela parece perceber que os sentimentos não são uma fraqueza que impede o desenvolvimento perfeito da personalidade completa do “novo homem” revolucionário.

      Os sentimentos não são o oposto indesejável da razão, a serem devidamente expurgados pela férrea disciplina revolucionária; são na verdade o componente essencial do ser humano, por meio dos quais ele exerce a plenitude de suas capacidades e relações propriamente humanas.

      É justamente para humanizar o mundo, e permitir o livre desenvolvimento de todas essas capacidades latentes, que trabalha a Revolução. O não perceber isso constitui o cerne do conflito dramático que emoldura a trajetória exemplar de Olga como personagem.

      5 Infelizmente, como foi dito, o tratamento desse tema submerge às convenções novelescas de narrativa. Desse modo, a rigidez de Olga antes de se tornar esposa de Prestes e mãe de Anita aparece como uma caricatura de esquerdista, a qual o espectador facilmente associa aos tipos contemporâneos de militantes radicais, “chatos de galocha”, neófitos empolgados com seu catecismo revolucionário debaixo do braço, “revoltados” recém-saídos da adolescência, ou ainda em plena adolescência, que querem mudar o mundo e vivem na casa dos pais.

      São esses tipos caricaturais que vem à mente, para divertimento do espectador, quando Olga e Prestes iniciam seu envolvimento romântico, da maneira mais cândida e desajeitada possível.

      Onde uma narrativa cinematográfica madura poderia extrair momentos de simplicidade, inocência e beleza, a narrativa novelesca de “Olga” produz tão somente pieguice e um certo constrangimento, quando não o completo ridículo.

      Se o objetivo do filme “Olga” era ridicularizar os comunistas por meio da abordagem caricatural de suas confusões emocionais, certamente conseguiu por meio de momentos como a frase de Prestes: “Você se parece com a minha mãe.”

      A frase parece feita para se encaixar no mais batido clichê freudiano, o do complexo de Édipo. Prestes é o bom rapaz, bom filho, homem sensível, que toda revolucionária gostaria de ter como marido. Olga por sua vez é a boa moça que apenas o equivoco ideológico pode ter transformado numa mulher dura e fria.

      E Fernanda Montenegro é a vovó que vem trazer a dignidade que faltava para a família revolucionária, com sua luta para conseguir a guarda de Anita, filha do desafortunado casal. Esse é o desfecho da história. Um drama de família. Não é desimportante, com certeza. Mas é pouco, muito pouco para um filme que se propõe a tratar de um tema importante da nossa História.

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