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O perfil genético do Brasileiro

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  • O perfil genético do Brasileiro


    ... este é um assunto interessante e no mínimo curioso...........
    vale a leitura!!!



    José Edward, de Belo Horizonte

    Todas as nações e todas as pessoas manifestam curiosidade em relação a seus antepassados. Os brasileiros, mais que os habitantes de países de população homogênea, têm interesse redobrado pelo assunto. Há um mistério e um problema na geração do povo brasileiro. O mistério é saber o que cada um de nós é. Europeus, negros e índios estão na base genética dos 170 milhões de habitantes do país. Sabe-se hoje que mais de 60% dos que se julgam "brancos" têm sangue índio ou negro correndo nas veias. O problema está no fato de que essa mestiçagem influi na maneira como a população se enxerga. Pelo tipo de beleza loura exibida em novelas da televisão, anúncios publicitários e passarelas da moda, o Brasil, ou a elite brasileira, parece envergonhar-se de sua mestiçagem. Sem dizê-lo explicitamente, anuncia uma suspeita aspiração nórdica. Alguns pensadores brasileiros chegaram a pregar o "branqueamento" da nação por meio da imigração. Outros, mais generosos, enxergaram as virtudes que a miscigenação propicia, mas a raça nunca foi um assunto neutro no Brasil. Individualmente, a pessoa interessada em retraçar suas origens tem dificuldade para ir além dos avós ou bisavós. No plano nacional, a falta de clareza se repete. Somos majoritariamente mestiços, sabemos, mas os censos populacionais pecam pela imprecisão: branco, negro ou pardo são categorias cravadas com base na aparência, no contexto social, na autopercepção. Do século 16 até 1830, mais de 5 milhões de escravos africanos chegaram ao Brasil. Hoje, dos 180 milhões de brasileiros, 45% carregam em seu sangue a herança genética dos negros africanos

    PAULO ZULU (PAULO CEZAR FAHLBUSCH PIRES)

    Ancestralidade materna: África Subsaariana
    Ancestralidade paterna: Europa
    Ancestralidade genômica: africana (99,5%)

    "Não sabia, mas gostei. O apelido foi mais forte que o sobrenome", brinca o modelo. O sobrenome Fahlbusch de Paulo Zulu é de seu avô por parte de mãe, o alemão Eugen Fahlbusch, que veio para o Brasil e casou-se com Maria do Carmo Andrade. Nascida em Muriaé, Minas Gerais, Maria do Carmo é brasileiríssima – dela, com certeza, vem a predominância africana nos genes de Zulu. "Fiquei surpresa com a africanidade de Paulo. Meu pai era daqueles alemães 'puros', e eu puxei por ele", diz a mãe do modelo, Hannelore. Os avós maternos do pai de Paulo Zulu eram portugueses.

    A resposta sobre quem somos, mesmo contra a opinião dos censos, está sendo encontrada dentro de nós mesmos. Um conjunto de pesquisas, comandadas pelo geneticista Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), começa a estabelecer com precisão, do ponto de vista da genética, quem são e de onde vêm os brasileiros. O estudo, tocado por dez cientistas e intitulado "Retrato molecular do Brasil", permite saber quem deu origem ao pai e à mãe de cada pessoa: se europeu, africano ou índio. A partir daí, projetando as amostragens, já existem resultados fascinantes. Um exemplo: 97% dos brancos brasileiros têm ancestrais europeus pelo lado da linhagem paterna. Nesse mesmo grupo, as linhagens maternas se abrem numa árvore de três ramos: 39% são européias, 33% ameríndias e 28% africanas. Ao todo, 61% dos brasileiros brancos têm herança indígena ou africana em seu patrimônio genético, sempre pelo lado materno. Esses números confirmam aquilo que já se sabia de forma imprecisa. Os brancos, colonizadores ou imigrantes, tiveram filhos em larga escala com índias da terra ou africanas trazidas para o trabalho escravo. Vovô chegou aqui para fazer a América e pegou a vovó no laço para satisfazer seus apetites carnais. Assim, de um ponto de vista antropológico, o brasileiro sofre de uma síndrome de bastardia, que se reflete em sua auto-imagem e na cultura que produz.

    JOSÉ SARNEY (JOSÉ RIBAMAR FERREIRA DE ARAUJO COSTA)

    Ancestralidade materna: África Central
    Ancestralidade paterna: Europa, Ásia e África
    Ancestralidade genômica: européia (99,999999%)

    O Sarney é estudioso do assunto e sabe muita coisa sobre as origens de sua família. "O primeiro Araújo (antepassado do pai) que chegou ao Maranhão foi Constantino de Araújo, em 1702. Ele veio de Arcos de Valdevez, no norte de Portugal, mas a família é oriunda da Galícia. Por parte de mãe, os ancestrais mais próximos são portugueses também. Minha mãe é bisneta de Antonia de Vilaça, portuguesa de Póvoa do Varzim, que chegou a Pernambuco em 1848. E neta de Tereza Belchior, uma cafuza (mistura de índio com negro)", explica.

    Os resultados da segunda parte da pesquisa, que VEJA publica com exclusividade, avançam mais nessa quantificação inédita. Os pesquisadores desenvolveram um método que permite estabelecer quanto de europeu (mais precisamente, euroasiático) e de africano tem cada brasileiro hoje. É aí que a miscigenação, "signo sob o qual se formou a etnia brasileira", na definição do historiador Caio Prado Júnior, aflora por inteiro. Um brasileiro com todas as características externas de branco, mostra o estudo, pode ser portador do mesmo perfil genético que um africano da gema. Da mesma forma, um brasileiro de pele escura pode ser geneticamente tão branco quanto um descendente de europeus. "No Brasil, a relação da cor da pele com o conteúdo genético das pessoas é muito pobre", constata Sérgio Pena.

    PAULO COELHO

    Ancestralidade materna: Europa
    Ancestralidade paterna: Europa
    Ancestralidade genômica: européia (99,999999%)

    "Tudo europeu, que chato! Queria ter um pouco de negro, de árabe, de judeu", lamentou. O pai e o avô de Paulo Coelho nasceram no Pará. A mãe de seu pai é do Rio Grande do Sul. Seus avós maternos e sua mãe nasceram no Rio de Janeiro. Ele não sabe mais detalhes sobre sua ascendência, mas se diz muito frustrado com os resultados dos exames.

    Para dar uma amostra, aleatória, do tipo de resultado auferido pelos métodos de Pena e equipe, VEJA convidou quinze personalidades para se submeterem aos testes – que podem ser feitos por qualquer interessado no laboratório Gene, em Belo Horizonte, ao preço de 880 reais o "pacote". O procedimento é simples: basta recolher células da mucosa da boca com uma escovinha, exatamente como quem faz exames de DNA para comprovação de paternidade. No final, os homens têm direito a três diplomas: um referenda a ancestralidade paterna, outro a materna e o terceiro atesta a ancestralidade genômica, ou seja, o tempero que predomina na salada genética da pessoa hoje. No caso das mulheres, os diplomas são dois, pois ainda não é possível definir o ancestral paterno original.

    PAOLA MARIA BOURBON DE ORLEANS E BRAGANÇA SAPIEHA

    Ancestralidade materna: Europa
    Ancestralidade genômica: européia (99,999999%)

    "Já esperava, claro. Mas bem que gostaria de ter um pouco de mistura", suspira Paola. A tataraneta da princesa Isabel nasceu em Londres e, como se previa, é européia até a raiz do cabelo louro. Seu pai, o príncipe Sapieha, é de família nobre polonesa descendente de russos.

    Alguns resultados eram rigorosamente previsíveis. Paola Maria Bourbon de Orleans e Bragança Sapieha, princesa descendente da família real brasileira pelo lado materno, cravou "europeu" em todas as categorias. Outros trouxeram surpresas irresistíveis. O modelo Paulo Cezar Fahlbusch Pires, apelidado na juventude de Zulu, numa brincadeira dos amigos surfistas com o bronzeado que adquiria sob o sol carioca, desmente os olhos verdes e os lábios finos. Geneticamente, é africano. Melhor ainda, essa herança foi passada pela mãe de nome sonoramente germânico. Explicação: Hannelore Fahlbusch é filha de alemão com brasileira e essa avó de Paulo Zulu tem sua origem na África. Tem mais. Nas últimas gerações, genes africanos freqüentaram com tal assiduidade a árvore familiar do modelo que, hoje, sua seqüência genética combina com as marcas típicas da África Ocidental. Já Vicente Paulo da Silva, o líder sindical Vicentinho, da Central Única dos Trabalhadores, um "mulato típico", tem origem provavelmente moura por parte de pai. A mãe vem de tronco africano, mas nas gerações mais recentes os genes euroasiáticos sobressaíram na família. Resultado: o perfil genético de Vicentinho é predominantemente europeu, o que lhe dá direito a um "diploma de branco".

    ANTONIO CARLOS MAGALHÃES

    Ancestralidade materna: Europa Ocidental
    Ancestralidade paterna: Europa
    Ancestralidade genômica: européia (99,999999%)

    "Já sabia disso, embora, como bom baiano, desejasse uma pitada de mistura", diz o senador. A família do pai dele veio do norte de Portugal – os avós eram portugueses. E a da mãe também tem origem européia, "mas não sei precisar o lugar exato".

    A salada brasileira é inesgotável. A índia Aigo, a jovem dançarina que durante uma rápida passagem pelo programa O+, da Rede Bandeirantes, teve a autodeclarada origem indígena apontada como golpe publicitário, agora pode provar: é descendente de índia, mesmo. Aigo (na carteira de identidade, Shirley Cristina Rocha) tem, portanto, direito de continuar a desfilar de cocar, peito nu e rebolado de pagodeira. Por sua vez, Susana Alves, a Tiazinha de lisa cabeleira de Iracema moderna, nunca pousou o pé na tribo. De ancestralidade materna africana, ela tem perfil europeu. Caso similar ao do ex-presidente José Sarney, cujas raízes remotas por parte materna vêm da África, pelo lado paterno misturam os três grandes troncos (europeu, asiático e africano) e, na mistura final, redundam também num "diploma de branco".

    SUZANA ALVES

    Ancestralidade materna: África Ocidental
    Ancestralidade genômica: européia (99,99%)

    Os pais de Suzana são de Cajazeiras, no interior da Paraíba. "Fiquei muito surpresa. Nunca imaginei que minhas características fossem totalmente européias. Se bem que sou muito branca. Minha pele é morena porque tomo muito sol desde os 13 anos. O teste me deixou curiosa por saber mais detalhes sobre minha ancestralidade."

    A visão do Brasil como um "laboratório de raças" está na base da formação nacional e mobilizou alguns dos mais importantes estudiosos no campo da sociologia e da antropologia. "Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma, quando não na alma e no corpo, a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena e do negro", escreveu Gilberto Freyre em Casa-Grande & Senzala. Freyre foi pioneiro na separação entre "raça" e "cultura" e também o primeiro a destacar a miscigenação como ponto positivo. Em 500 anos de História, o Brasil construiu no trópico um país de cultura riquíssima, colorida por uma luz toda especial nas festas, na culinária, na música. O Brasil está entre as dez maiores economias do mundo, e seu povo, com todas as dificuldades práticas trazidas por diferenças de renda e de educação, aprende rápido, exibe capacidade incomum de adaptar-se a novidades e de contornar o desastre. Essa é uma herança positiva que muitos pensadores da atualidade destacam. No passado, porém, a corrente dominante da inteligência nacional só via defeitos naquilo que é uma de nossas virtudes.

    Fonte:
    *Ancestralidade Genômica

    *Genealogia por DNA
    *contato: Dr. Sérgio Pena

    Uma viagem às raízes da árvore genealógica - O próprio Edward, jornalista que fez esta matéria, submeteu-se ao teste de DNA. Descobriu que tem uma antepassada africana. "Sou tão branco que nunca poderia adivinhar esse resultado", diz Edward.


    Pena (de barba) e equipe: pesquisa inédita

    A equipe de dez pesquisadores coordenada pelo geneticista Sérgio Danilo Pena está realizando seus estudos há três anos. A primeira etapa consistiu em listar grupos de variações genéticas peculiares de europeus, africanos e ameríndios e compará-los com as seqüências genéticas típicas de uma amostra de 247 brasileiros brancos, homens e mulheres não aparentados, de quatro regiões do Brasil: Sul, Sudeste, Norte e Nordeste. O objetivo era descobrir qual a ancestralidade paterna (a procedência do homem primitivo que, há milhares de anos, deu origem à linhagem genética de cada pessoa por parte de pai) e a ancestralidade materna (idem, do lado da mãe) predominantes entre os brasileiros. De cada pessoa pesquisada, os cientistas da UFMG isolaram fatores genéticos passados de pai e mãe para filho e filha durante séculos, praticamente sem mudanças. Um desses fatores é o cromossomo Y, velho conhecido das aulas de biologia, que o pai transmite para a prole masculina. Como mulher não tem Y, sua ancestralidade paterna ainda não pode ser identificada – um irmão ou um primo pelo lado do pai podem suprir isso. Outro é o chamado DNA mitocondrial, um pequeno fragmento do código genético. O DNA mitocondrial não traça a linhagem paterna, mas, no caso da materna, pode ser rastreado em marcha à ré, até o começo dos tempos, em ambos os sexos.

    Por começo dos tempos entenda-se um exemplar masculino de aproximadamente 80.000 anos e outro feminino mais antigo, com cerca de 150.000, descobertos na África: o Adão e a Eva dos seres humanos atuais. Nos últimos vinte anos, pesquisadores em diversas partes do mundo se dedicaram a comparar o mapa genético de populações, distinguindo certos traços entre eles. Foi assim que surgiram os "marcadores" da ancestralidade genética. Comparando os DNAs a sua disposição com esses marcadores, a equipe de Sérgio Pena encaixa cada pessoa em seu grupo de origem.

    Os marcadores do cromossomo Y mapeados até agora abrangem povos e regiões da África negra abaixo do Saara, da África do Norte e áreas em volta do Mediterrâneo, Europa e de indígenas das Américas. As conclusões dos pesquisadores de Minas Gerais sobre as origens dos brasileiros baseiam-se nas informações proporcionadas por esses marcadores e cruzadas com o que já se sabe sobre a história das migrações. Elas são razoavelmente precisas em relação a locais e referências genéticas, e menos exatas em relação a tempo, sobretudo pelo ritmo lento (no mínimo 3.000 anos) com que uma "marca" distintiva se fixa na seqüência de genes de um agrupamento humano. Feitos todos os cálculos e comparações, o "Retrato molecular do Brasil" mostrou que, no grupo pesquisado, a esmagadora maioria – 97% – provém de um tronco paterno europeu. Já o tronco materno variou: 39% europeu, 33% ameríndio, 28% africano.
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  • #2

    um pouco de História do Brasil....... :wink:

    A Formação da População Brasileira

    A população brasileira formou-se a partir de três grupos étnicos básicos: o INDÍGENA, o BRANCO e o NEGRO. A intensa miscigenação (cruzamentos) ocorrida entre esses grupos deu origem aos numerosos mestiços ou pardos (como são chamados oficialmente), cujos tipos fundamentais são os seguintes: mulato (branco + negro), o mais numeroso; caboclo ou mameluco (branco + índio) e cafuzo (negro + índio), o menos numeroso.

    Sobre essa base juntaram-se, além dos portugueses, que desde a colonização continuaram entrando livre e regularmente no Brasil, vários outros povos (imigrantes), ampliando e diversificando ainda mais a formação étnica da população brasileira. Os principais grupos de imigrantes que entraram no Brasil após a independência (1822) foram os seguintes: atlanto-mediterrâneos (italianos e espanhóis), germanos (alemães), eslavos (poloneses e ucranianos) e asiáticos (japoneses).

    A população brasileira é, caracterizada por grande diversidade étnica e intensa miscigenação.
    A elevada miscigenação ocorrida no período colonial, principalmente entre brancos (portugueses) e negros (africanos) , explica o rápido crescimento do contingente de mulatos em relação ao contingente de negros.

    Em 1800, os negros eram 47% da população, contra 30% de mulatos e 23% de brancos.

    Fatores como, por exemplo, a proibição do tráfico de escravos (1850), a elevada mortalidade da população negra, o forte estímulo à imigração européia (expansão cafeeira), além da intensa miscigenação entre brancos e negros, alteraram profundamente a composição étnica da população brasileira.

    Em 1880, os negros estavam reduzidos a 20% da população, contra 42% de mulatos e 38% de brancos. Daí em diante, ocorreu a diminuição constante da população negra e aumento progressivo da população branca (intensificação da imigração européia, após a Abolição da Escravidão). Em 1991, os negros eram apenas 4,8% da população total, contra 55,2% de brancos e 39,2% de mestiços.

    Excluídos do processo de desenvolvimento econômico e social do país, os negros formam atualmente, ao lado de grande parte de outras camadas não-brancas (mulatos, índios etc.) um enorme contingente de brasileiros marginalizados.

    Os dados estatísticos fornecidos pelo recenseamentos gerais são relativamente precários e, até mesmo, omissos. No censo demográfico de 1970, por exemplo, no auge de regime militar, não há nada relativo aos negros e aos índios. Por quê? Manobra estratégica do governo para impedir a conscientização ou atuação de grupos étnicos minoritários?

    Os números oficiais, principalmente os que se referem a brancos e negros, são passíveis de questionamento.

    O primeiro recenseamento oficial no Brasil só foi realizado em 1872, ou seja, 372 anos após a chegada dos portugueses e cinqüenta anos após a Independência do país.
    Há muita controvérsia com relação ao número de negros que entraram no Brasil, o mesmo ocorrendo com relação à população indígena que habitava o país na época da chegada dos colonizadores.

    A ideologia do branqueamento, imposta pelo europeu, apregoando a superioridade do branco ("quanto mais branco, melhor") fez com que muitos indivíduos de ascendência negra passassem por brancos nos recenseamentos, a fim de obter maior aceitação social.

    Fatos como esse permitem supor que os números mostrados são exagerados para mais, em relação aos brancos, e para menos, em relação aos negros.

    A ideologia do branqueamento nada mais é que um modelo discriminatório, de natureza racista, criado pelas elites dominantes para marginalizar os negros, impedindo-os de obter ascensão social, econômica e cultural. O branqueamento teve importância decisiva no processo de descaracterização (enquanto raça) e no esvaziamento da consciência étnica dos negros.

    O mulato, produto da miscigenação entre brancos e negros, constitui importante exemplo do poder de influência da ideologia do branqueamento. Por mais "claro" e mais bem-aceito socialmente que o negro, o mulato passou a se considerar superior ao negro, assimilando, com isso, a ideologia do branqueamento.

    As cores do brasileiro

    A identidade e a consciência étnicas são penosamente escamoteadas pelos brasileiros. Ao se auto-analisarem, procuram sempre elementos de identificação com os símbolos étnicos da camada branca dominante. No censo de 1980, por exemplo, os não-brancos brasileiros, ao serem inquiridos pelos pesquisadores do IBGE sobre a sua cor, responderam que ela era: acastanhada, agalegada, alva, alva escura, alvarenta, alva rosada, alvinha, amarela, amarelada, amarela queimada, amarelosa, amorenada, avermelhada, azul, azul marinho, baiano, bem branca, bem clara, bem morena, branca, branca avermelhada, branca melada, branca morena, branca pálida, branca queimada, branca sardenta, branca suja, branquiça, branquinha, loura, melada, mestiça, miscigenação, mista, morena, morena bem chegada, morena bronzeada, morena canelada, morena castanha, morena clara, morena cor de canela, morenada, morena escura, morena fechada, morenão, morena prata, morena roxa, morena ruiva, morena trigueira, moreninha, mulata, mulatinha, negra, negrota, pálida, paraíba, parda, parda clara, polaca, pouco clara, pouco morena, preta, pretinha, puxa para branca, quase negra, queimada, queimada de praia, queimada de sol, regular, retinha, rosa, rosada, rosa queimada, roxa, ruiva, russo, sapecada, sarará, saraúba, tostada, trigo, trigueira, turva, verde, vermelha, além de outros que não declararam a cor. O total de 136 cores bem demonstra como o brasileiro foge da sua verdade étnica, procurando, através de simbolismos de fuga, situar-se o mais possível próximo do modelo tido como superior.
    (Retrato do Brasil, 1984, p. 112.)


    O branco

    Em 1890, ano em que foi realizado o segundo recenseamento oficial do brasil, os brancos representavam 42% da população brasileira, contra 55% de mestiços e negros e 3% de índios.

    A intensificação do processo imigratório após a proibição do tráfico de escravos (1850) e, principalmente, após a Abolição da Escravidão (1888) alterou profundamente a proporção étnica da população brasileira.

    Entre 1884 e 1933, o Brasil recebeu quase 4 milhões de imigrantes, a grande maioria formada por brancos. Em 1940, ano em que foi realizado o quinto recenseamento oficial, os brancos passaram a representar 63,5% da população do país, contra 35,8% de mestiços e 0,7% de amarelos.

    Nos últimos 50 anos, embora tenha diminuído a proporção de brancos (redução da imigração e miscigenação interna), mais da metade da população brasileira é formada por brancos (55,2% em 1991).

    Dentre os indivíduos de cor branca, predominam os de origem européia, destacando-se os seguintes grupos:

    Atlanto-mediterrâneos: é o grupo mais numeroso e representa cerca de 75% do total de imigrantes que entravam no Brasil. É formado, principalmente, por portugueses, italianos e espanhóis.
    Germanos ou teutões: grupo representado por alemães (os mais numerosos), austríacos holandeses, suíços e outros.
    Eslavos: grupo representado por poloneses (os mais numerosos), ucranianos, russos e outros.

    Além dos europeus, o Brasil recebeu indivíduos brancos de outras partes do mundo: Ásia (turcos, árabes, judeus, libaneses, sírios etc.), América do Norte, América do Sul etc.

    As regiões brasileiras que apresentam os maiores percentuais de indivíduos de cor branca são as regiões Sul (cerca de 80%) e Sudeste (cerca de 65%).

    Além de predominar em número, o branco exerce amplo domínio econômico, social e político no país, comparado aos negros e aos pardos, os brancos levam enorme vantagem: têm os melhores empregos, ganham mais, estudam por um tempo maior e vivem mais e melhor.

    Os números a seguir, fornecidos pelo censo de 1980, confirmam a melhor situação sócioeconômica dos brancos em relação aos negros e pardos.

    Dos trabalhadores que ganham dez ou mais salários mínimos, 86,6% são brancos, contra 9,9% de pardos e 0,7% de negros.
    79% dos empregadores (patrões) são brancos, contra 16% de pardos e apenas 1% de negros.
    58% dos empregados são brancos, contra 34% de pardos e 7% de negros, ou seja, para cada oito empregados brancos, há cinco pardos e um negro.
    O percentual de brancos que têm nove anos e/ou mais de estudos é de 16%, contra 6% de pardos e 4% de negros.

    Com o fim da escravidão e a entrada maciça de imigrantes europeus, as elites criaram modelos discriminatórios e mecanismos de resistência à ascensão social das camadas não-brancas, marginalizando-as nos níveis econômico, social e cultural.

    Forçados a competir em pé de igualdade com os imigrantes, os pardos e os negros ex-escravos não se incorporaram ao novo modelo de desenvolvimento socioeconômico (o modelo urbano-industrial) e foram compor a parcela de marginalizados. Entrava em cena o mito (difundido pelo colonizador) da incapacidade do negro para o trabalho.

    Em 1893, os imigrantes já representavam 79% do pessoal ocupado nas atividades manufatureiras e 85% nas atividades artesanais, atividades essas que antes eram exercidas pelos negros e pelos pardos.

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